
É o mistério do “desconfinamento”. Os centros comerciais querem abrir lojas e restaurantes já segunda-feira – na fase 2ª do desconfinamento -, mas andam a “pedinchar” sem que se perceba a razão.
As regras que o Governo definiu para a reabertura do comércio, nomeadamente o não alimentar e a restauração, até por motivos constitucionais, têm de se aplicar também a todos os lojistas dos centros comerciais já a 18 de maio, à semelhança do comércio de rua, e não apenas a 1 de junho, quando inicia a 3º fase do plano de desconfinamento.
E nem é por uma mera interpretação de justiça e igualdade ou até economicista da questão – os centros comerciais são responsáveis por mais de 100 mil postos de trabalho em Portugal –, mas porque estes espaços são supervisionados em permanência por equipas especializadas para garantir o cumprimento das normas de segurança, higienização, controlo da lotação e distanciamento social como nenhum outro de rua.
Além de que não consigo pensar num só argumento – um, só! – que exista como fundamento para os lojistas sejam autorizados a abrir quando as mesmas atividades estão fora dos centros comerciais, mas não no CC, já no início da próxima semana.
Por outro lado, convém não esquecer que os shoppings nunca fecharam. Aliás, foram e são, ainda, fundamentais para garantir às populações o abastecimento de bens de primeira necessidade e os serviços considerados essenciais pelo governo.
A APCC, associação do sector, já elaborou um guia de boas-práticas para a operação em centros comerciais, que entregou à Direcção-Geral da Saúde (DGS) e ao Governo e que disponibiliza online. Um documento promete atualizar sempre que se justifique e que tem também a função de servir de check-list aos gestores dos centros, apoiando-os no enquadramento dessas medidas nos seus planos de operação.
De referir, que entre as medidas previstas no guia está:
- o limite à lotação dos espaços a cinco pessoas por cada 100 metros quadrados (à semelhança do restante comércio)
- e a recomendação de uma distância de segurança de dois metros entre cada pessoa.
