
Pelo menos, é isso que o Governo pretende fazer crer, ao anunciar um conjunto de incentivos fiscais para quem coloque casas no mercado de arrendamento até €2.300 — e com contratos de, pelo menos, três anos. Entre as medidas destaca-se a redução da taxa de IRS de 25 % para 10 %.
Investir na compra de uma habitação para arrendar teve uma rentabilidade bruta de 6,9 % no verão de 2025, segundo dados do idealista.
💰 1. Rendibilidade bruta média (Portugal, 2025)
De acordo com o idealista (2.º trimestre de 2025):
- Média nacional: cerca de 6,3 %.
- Lisboa: entre 4,2 % e 5 % (mercado saturado, preços elevados, rendas limitadas).
- Porto: entre 5,5 % e 6,2 %.
- Braga, Leiria, Setúbal e Évora: entre 6,5 % e 7,5 %.
- Cidades médias e interior (ex.: Viseu, Guarda, Beja): até 8 % ou 9 %, devido aos preços de compra mais baixos.
💡 Nota: estamos a falar de rendimento bruto anual, calculado pela fórmula:
(renda mensal × 12) ÷ preço de compra × 100.
⚖️ 2. Rendibilidade líquida (após impostos e despesas)
Convém fazer bem as contas e não esquecer os riscos de um arrendamento sem fiadores ou com um contrato que não salvaguarde adequadamente a propriedade.
Depois de descontar IMI, manutenção, seguros e IRS (28 % sobre rendimentos prediais, se não estiver em regime especial), as taxas caem, em média, entre 1,5 % e 2 %.
👉 Ou seja:
- Lisboa: 2,8 % – 3,8 % líquidos.
- Porto: 4 % – 5 % líquidos.
- Cidades médias/interior: 5 % – 7 % líquidos.
Ainda assim, face à baixa remuneração dos depósitos em Portugal, a compra de imóveis para arrendamento continua a oferecer rendibilidades atractivas, sobretudo fora das grandes capitais, onde a relação preço/renda é mais equilibrada.
Nos centros urbanos, porém, o ganho principal tem sido a valorização patrimonial — não o rendimento mensal.
NOTA: Se houver recurso a crédito, o custo efectivo do empréstimo (TAEG de cerca de 4 %) afecta fortemente o retorno real. Cuidado!
