
Descodificador dos pontos centrais da polémica que está na ordem do dia e que pela sua importância merecerá, aqui, uma breve explicação.
1-A acusação tinha de ser finalizada em plena campanha eleitoral?
Não necessariamente, mas a verdade é que o prazo para a prisão preventiva do principal arguido do processo, João Paulino, esgotava-se no dia 26 de setembro — e se não houvesse acusação este tinha de ser libertado. O prazo era curto e os procuradores só conseguiram acabar a acusação na data-limite, em plena campanha eleitoral para as legislativas de 6 de outubro.
2-Como surgiu a ideia de assaltar os paióis de Tancos?
Um furriel do exército, Filipe Abreu, contou a um tio que os paióis de Tancos não tinham qualquer segurança e só os paraquedistas levavam as rondas a sério. A informação foi transmitida a João Paulino, um ex-fuzileiro com ligações ao mundo do tráfico de droga e de armas que viu uma oportunidade parar conseguir armamento para trocar por droga ou para vender à ETA.
3-Porque é que o caso fez rebentar um conflito entre a PJM e a PJ?
Porque a investigação começou por ser conduzida pela Polícia Judiciária Militar mas, por decisão da ex-PGR, Joana Marques Vidal, passou para a PJ civil. Os responsáveis pela PJM, a começar pelo diretor Luís Vieira, nunca aceitaram esta decisão e tentaram sempre revertê-la. Pior: quando tiveram indicação sobre o paradeiro do armamento decidiram montar uma operação clandestina à margem do Ministério Público e da PJ.
4-As armas e munições roubadas foram todas recuperadas?
Não. E as autoridades desconhecem onde se encontram as que faltam. Entre o armamento desaparecido estão 264 Velas PE4A, explosivo plástico militar que pode ser moldado em qualquer forma, já utilizado no passado em ataques terroristas. Por descobrir estão também 44 granadas-foguete anticarro, arma portátil de infantaria própria para destruir viaturas blindadas ou 30 CCD10, 57 CCD20 e 15 CCD3, que são um explosivo plástico militar apropriado para, através de uma explosão controlada, cortar superfícies. Só para falar nas que são consideradas mais perigosas.
5-De que crimes são acusados os 23 suspeitos?
As principais imputações do Ministério Público são de associação criminosa, tráfico de armas, falsificação de documento, denegação de justiça e prevaricação, favorecimento pessoal ou detenção de arma proibida.
(FONTE: Expresso)
